CBAt se atrapalha com interpretação de regra da IAAF para a Maratona

Consta no site da CBAt que o Solonei Silva tem a vaga garantida para a Jogos Olímpicos do Rio 2016 por ter ficado entre os 20 primeiros colocados na Maratona do Mundial de Pequim. No entanto, nós, do Corrida no Ar, achamos que a CBAt interpretou errado uma regra da IAAF e isso pode causar muita confusão caso algum atleta faça um índice melhor que ele, que é dono do terceiro melhor índice até agora.

E então qual é a regra da IAAF que a CBAt decidiu adotar? É a seguinte:
The first 20 runners in the Men’s Marathon and in the Women’s Marathon in the IAAF World Championships Beijing 2015 and the top 10 finishers at the IAAF Gold Label Marathons in 2015 and 2016 (held during the qualification period) will also be considered as having achieved the entry standard.”
Tradução livre: “Os atletas que forem os 20 primeiros – masculinos e femininos – na Maratona dos Jogos Mundias de Atletismo de Pequim 2015 e os top 10 em provas IAAF Gold Label em 2015 e 2016 (disputadas durante o período de classificação) terão seus tempos considerados como índice obtido.”
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Qual é o significado dessa regra? Que os atletas que obtiverem essas posições nas provas citadas, entrarão na lista de atletas com índice obtido em seus respectivos países. E por que foi criada essa regra? Porque é uma espécie de democratização dos Jogos – nem todos os países tem atletas que conseguem obter o índice mínimo para ir às Olimpíadas (2:19 para os homens e 2:45 para as mulheres). Então, se um país tiver um atleta é competitivo a ponto de obter essas posições no Mundial ou prova Gold Label, ele entraria na listagem de classificação de seu país para os Jogos, independentemente do tempo em que ele finalizou a prova.

Ficou claro?

E como foi que a CBAt adaptou essa regra da IAAF? A regra 1-3 está redigida da seguinte maneira: “Estarão automaticamente classificados para as provas da Maratona, os atletas que se classificarem do 1º ao 20º lugar nas provas dos Campeonatos Mundiais de Atletismo de 2015.”
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Bom, até aí tudo bem, né? Estar automaticamente classificado, significa que estará automaticamente na lista de atletas com índices obtidos, correto? Até porque qualquer atleta que obtiver o índice mínimo, também estará automaticamente classificado. Ser convocado para as Olimpíadas, já são outros quinhentos, até porque historicamente, a Confederação convoca sempre os três atletas com os índices mais rápidos (são três vagas para a maratona). No caso, temos hoje, Marilson dos Santos com 2:11:00 (Hamburgo 2015), Paulo Roberto de Almeida Paula com 2:11:02 (Fukuoka 2015) e Solonei Silva com 2:13:15 (Milão 2015).

Agora por que dizemos que pode dar confusão? Porque na listagem da CBAt de atletas com índice para os Jogos, consta o seguinte texto:
“Obs: O atleta Solonei Rocha da Silva tem vaga garantida em função de ter obtido a 18ª colocação na Maratona masculina dos Campeonatos Mundiais de Atletismo – Beijing 2015, atendendo o ítem 3 dos Critérios de Convocação para os Jogos Olímpicos Rio 2016, desde que o mesmo se apresente em condições física e de saúde ideais quando oficialmente convocado para integrar a Equipe do Brasil que participará dos Jogos olímpicos Rio 2016.”
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Bom aí é claro que vai dar confusão. Vamos supor que o Solonei não tivesse obtido os 2:13:15 que fez em Milão? Lembramos que o Solonei fez 2:19:19 no Mundial. A CBAt convocaria o atleta no lugar de outros com tempos mais rápidos? Para disputar as Olimpíadas não temos que levar os atletas com melhores tempos porque isso não significa que teremos mais chance de tentar uma medalha?

O que acontecerá caso, um atleta faça tempos melhores que o Paulo e o Marilson? O Solonei será convocado mesmo assim? A CBAt se enrolou com essa história. Essa regra de “garantir convocação” por ficar entre os 20 melhores no Mundial não era clara sequer para os treinadores, pois você tem alguma dúvida de que os técnicos de atletas como Adriana Aparecida da Silva ou Marily dos Santos não teriam optado pelo Mundial ao invés do Pan para garantir suas atletas nos Jogos do Rio 2016 baseando-se apenas na posição que elas conseguiriam na prova?

O problema dessa regra é que ela não estabelece qual é a prioridade da CBAt, se são os índices mais rápidos, ou simplesmente o fato de se ter conseguido ficar entre os 20 no Mundial – é um problema de redação. Quando se cria uma regra de exceção, deve-se estabelecer clararmente qual é a prioridade, me ensinou o amigo Ricardo Nishizaki.

Aliás, porque não se adotou também os Top 10 em prova Gold Label? Ao meu ver, é mais difícil conseguir ser Top 10 em prova Gold Label do que ser Top 20 em Mundiais, pois nos Mundial, cada país só pode levar três atletas. Isso quer dizer que em uma prova Gold Label pode ter 10 quenianos, 5 etíopes, 3 eritreus… Alías, a prova em que o Paulo Roberto de Almeida Paula obteve 2:11:02, Fukuoka, é Gold Label. Será que ele pode reivindicar que a CBAt aplique o critério IAAF para as Gold Label da mesma forma que a CBAt adotou a do Mundial?

A CBAt tem autonomia para decidir o que quiser em relação aos atletas que serão convocados e de qualquer forma, Solonei tem o terceiro melhor tempo e na atual conjuntura de atletas que tempos na disputa de maratonas, só consigo ver dois atletas capazes de melhorar o tempo dele – o próprio Solonei e Franck Caldeira. É claro que podemos ter surpresas nesse caminho, mas se outro atleta baixar de 2:13:15 até o dia 6 de maio (quando se fecha a janela dos índices), tenho certeza que vai dar confusão. E das boas.

Obs: No dia 5 de novembro enviei um questionamento à assessoria de imprensa da CBAt à respeito da interpretação da regra da IAAF, mas não recebi resposta.
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