Andando com os próprios passos

Caixa de Luz/Creative Commons

Em 2006 eu trabalhava na Editora Três e tinha corrido a minha primeira maratona, a de Porto Alegre. O expediente como chefe de arte na revista Istoé Gente começava as 14 horas e tinha as manhãs livres para treinar. Eu estava tão animado que acabei cometendo um erro típico – subi repentinamente a quilometragem semanal e acabei me lesionando. E então, as minhas manhãs livres estavam realmente livres.
 
Eu já era leitor da Contra-Relógio – nunca fui assinante – e gostava da revista, mas achava que o visual podia ser bem melhor. Como precisava aprender um novo software de edição que estava começando a virar padrão no mercado, o InDesign, decidi brincar de fazer um novo projeto gráfico para a CR como aprendizado. Peguei uma edição antiga da revista e refiz algumas páginas com a minha proposta. Convenhamos, trabalhar na Istoé Gente não era a minha ambição pessoal, apesar de ter aprendido muito por lá e ter feito dezenas de amizades que duram até hoje. Decidi mandar as páginas que tinha feito para o Tomaz Lourenço, editor da revista, porque se, de repente, ele gostasse, talvez eu conseguisse editar a revista e juntar minhas duas paixões, a corrida e o meu trabalho de designer.
 
Recebi uma resposta rápida: “Gostei, vamos conversar.” Levei mais algumas páginas e uma proposta de mudança de logotipo em nossa reunião e 15 dias depois já começava a fechar a primeira edição da CR, a de outubro de 2006, com uma reportagem da Ultratrail de Mont Blanc e Meia-Maratona do Rio. De lá para cá foram sete anos e meio de Contra-Relógio. 
 
Como sempre fui chegado a dar opiniões e sugestões de pauta em todas as revistas em que trabalhei, na CR não foi diferente. Mexemos no site da revista, fizemos o Guia do Tênis, os blogs e fui me “engedrando” no mundo da corrida, a ponto de ser conhecido como o Sérgio da Contra-Relógio e minha função de editor de arte se confundia com a de jornalista. Entrei na revista como um corredor inexperiente e cheio de encanações que foram aos poucos sumindo, dado o contato com o esporte e com a visão simples e dura que o Tomaz tem sobre as coisas. Aliás, devo muito ao Tomaz por todo o aprendizado durante esse período. Com os colaboradores da revista, então, nem se fala. A paixão desenfreada do Vicent Sobrinho, os textos doces da Yara, os papos com Fernando Beltrami, trocas de experiências com colunistas como o Danilo Balu e a amizade de irmão com a Fernanda Paradizo e com o André Savazoni, com quem dividi a bancada do podcast Contra-Relógio no Ar por quase dois anos.
 
Aliás, foi exatamente o fim do podcast que fez surgir o projeto Corrida no Ar. À princípio era uma ideia que tive e que compartilhei com o Danilo Balu – de que poderíamos tentar fazer o que fazíamos no podcast, só que em vídeo e que isso, talvez, resolvesse um dos problemas que tínhamos com o podcast – o fato de não conseguirmos monetizar o produto e que os anúncios no YouTube poderiam suprir, caso tivéssemos boa audiência.
 
Começamos a fazer o programa em abril de 2013. Fomos nos acertando, achando o formato e a coisa começou a andar. À princípio, a mesa era formada por Danilo Balu, Nelton Araújo, Fernanda Paradizo e eu. Os debates e conversas do tipo mesa redonda de futebol acabou encontrando um público cativo e que não encontrava conteúdo paralelo na televisão ou próprio YouTube e fazer o programa ao vivo trouxe a participação desse público de maneira absolutamente inédita em nosso esporte. Fizemos um site e começamos a produzir alguns quadros para diversificar, como cobertura de provas e entrevistas. Foi então que o Alexandre Koda, do Webrun, fez um convite para que colocássemos nosso conteúdo no portal, o que acabou sendo um divisor de águas para a visibilidade para os nossos vídeos. 
 
No final do ano passado, conseguimos fazer uma parceria com a Mizuno para fazer o reality/doc “Corrida no Ar na Mizuno Uphill” que angariou mais público para o canal e fez soar um alame me avisando que, talvez, o Corrida no Ar pudesse ser algo sustentável. Com o tempo, se juntaram ao painel de discussão o essencial Ricardo Nishizaki e a ótima Paula Narvaez. Outros parceiros passaram a acenar com possibilidades para o Corrida no Ar e a produção de novos quadros, como o “Dicionário”, “Dicas”, “Quem é”, passou a tomar mais tempo do meu dia-a-dia e o fechamento da revista, que exige dedicação, passou a impedir que eu pudesse desenvolver ainda mais esses conteúdos.
 
Portanto, a partir de hoje, encerro minha participação na revista Contra-Relógio para me dedicar somente ao Corrida no Ar. A revista sempre estará comigo, pois muito do que sei e conheço devo à ela e, continuarei sendo leitor fiél. Quero agradecer à todos que de alguma forma fizeram parte da minha história por lá – todos os ilustradores, fotógrafos, assessores de imprensa, jornalistas e colaboradores.  
 
O Corrida no Ar terminou a parceira com o Webrun e há pouco menos de um mês e agora temos nosso próprio site, com vários colaboradores e ainda teremos muitas novidades que estamos preparando para vocês. Queria agradecer à todos que fazem parte da história recente do Corrida no Ar, vendo nossos vídeos, participando dos programas ao vivo, opinando e nos criticando. Tudo o que fazemos é pensando em vocês e a culpa do Corrida no Ar estar dando certo, sem dúvida, também recai sobre vocês. Nosso papel é falar sobre corrida de uma maneira descomplicada e descontraída e dessa maneira, ajudar a aprofundar o conhecimento dos corredores sobre esse esporte que tanto amamos. Tudo isso, é claro, sem deixar o bom humor de lado. 
 
A história do Corrida no Ar começou em abril de 2013 e não tem data para acabar. 
 
Sergio Rocha

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